A recarga de cartuchos de impressoras é uma prática
muito comum entre usuários domésticos. Porém,
questões como qualidade de impressão, garantia do
fabricante, preço e segurança devem ser levadas em
conta na hora optar entre produtos originais ou
remanufaturados. Uma das dúvidas mais comuns é se
essa prática é legalizada. Não só é legal, como
também, segundo dados da Abreci (Associação
Brasileira de Recondicionadores de Cartuchos para
Impressora), há no Brasil cerca de seis mil empresas
que prestam esse tipo de serviço.
Antônio Guedes,
presidente da Abreci, revela que existe, inclusive,
um selo de qualidade para cartuchos recondicionados.
“Recolhemos os produtos e enviamos ao IMT (Instituto
Mauá de Tecnologia), onde são testados e, se
estiverem compatíveis com as normas, a empresa
recebe o selo”, diz.
Danos ao equipamento?
Outra dúvida freqüente é se os cartuchos
recondicionados estragam a impressora. Zulma Vega,
gerente de produtos e suprimentos da HP, relata que
um estudo realizado pela Quality Logic mostra que a
cada 100 reposições por remanufaturados foram
geradas pelo menos cinco reclamações por problemas
técnicos. “Um produto desses tem origem
desconhecida, por isso pode prejudicar o
equipamento”, ataca a executiva.
Tanto a HP, quanto a Epson não cobrem danos
causados por uso de cartuchos não originais. “Não
podemos garantir que o equipamento vai funcionar com
um produto que não conhecemos”, afirma Gustavo
Assunção, gerente de negócios de suprimentos da
Epson.
Preço e qualidade
Do ponto de vista do usuário, o
principal diferencial é o preço. Em alguns casos,
segundo Guedes, da Abreci, a economia varia entre
50% e 60%, se o cliente não levar o cartucho vazio.
Em outros, no entanto, a diferença de preço é
pequena. No caso do modelo Stylus C45, da Epson, o
cartucho preto original custa, em média, R$ 29,90.
Já o remanufaturado fica em torno de R$ 24,90. “A
tinta dura menos, a qualidade é um pouco inferior,
mas ainda vale a pena pela economia”, opina a
jornalista Lílian Natal, que sempre usa cartuchos
recarregados. Mas há quem ache que o barato sai
caro. A também jornalista Elízia Carneiro, por
exemplo, não gostou do resultado. “A impressão ficou
péssima, as folhas saíram manchadas e tive que
comprar outro cartucho depois”, lamenta.
Guedes diz que os fabricantes defendem os
cartuchos originais porque dependem da venda de
suprimentos. “O que estraga a impressora é a falta
de informação em relação ao equipamento. Além disso,
o usuário deve comprar apenas em empresas afiliadas
à Abreci”, orienta o executivo.